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"Adriano-Poesia"
 


Sem fundamento

Sinais, estertores, caminhos, delírios,
sínteses pequenas, manhãs informes,
carícias perdidas,
contornos subjetivos,
prelúdios nus, fantasias, e desejos, e joguetes, e constantes golpes na tez.

Ela, passível. Os olhares tímidos,
as segundas manchas, as críticas informes que devoram parte deste sinuoso império

- o império que eu, vate de um sem par número de pressões, ousei (pela vez primeira) fabricar!

Crises,
estáticos momentos,
confuso acordo que vulnera a delicada paixão pelo poema.

O contorno sereno, as possíveis ruínas,
os olhos - nus - que ousam corroer parte deste relativo estupor.

Que resta, afinal?

Uma serena mudança, um pequeno desejo, fáceis impressões que repousam sobre os delicados minutos de cólera?

Parte deste abismo tornou-se pútrido!

Os gritos, muito bem dissimulados, são forma, poesia, condição. Os sensíveis retratos, passionais, criam certos elementos, absorvem - no todo ou em parte - um mesmo discurso, uma mesma nostalgia, um débil e lamurioso delírio.

Nada mais. Sois, aos dias
tão irregulares, uma mensagem de vida, um contrário e singular apoio, um modelo que posso - se assim desejar - seguir.

Potentes confissões, marcas tênues, incapazes tormentos. Esta crueza inexata, estes sensíveis paradoxos, nossas involuntárias canções.

A bem dizer da verdade, nua ninfa, este poema nada traduz!

© Adriano Guia Ferraro

29, 15/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h56 AM
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Procura

 

Cai a noite. Os ombros, tão firmes, são reflexos de mais um dia amargo. Esta curiosa tentativa, estes desejos nada comuns, estas sensações que produzem certos monstros - eles que devoram o corpo e fabricam, no todo ou em parte, os risos, as farsas, as imperiais notícias de um dia nada comum!

Estáticos caminhos, sensíveis pareceres, estertores comuns que vulneram as vivas e etéreas mudanças - cada vez mais próximas do medo!

Um nome insone, uma notícia cardíaca, um pequeno esboço de liberdade que consome o vício - este catalizador de hábitos!

Vulnerável expectativa, contínua foice, fórmica palavra que rasga, desdobra, constrói, anuncia, cauteriza, expõe, limita, traduz, seduz, convive, aduz...

É próximo este simétrico caminho? É próxima a decadente maneira de dizer o quão previsível tornei-me? Devemos esquecer nossas frustrações, devemos erigir um discurso irreal, devemos... mas não podemos!

Cada prisão de aço, cada movimento involuntário, cada delírio que combina o riso e a noite, o tolo e o amante, a curiosa rotina e os cínicos prólogos - cada vez mais próximos do corpo (esta matéria em contínua construção!).

Pontos, estratagemas, segredos e mutações, e instáveis verbos, e pequenos horizontes - dispersos sobre os braços.

Um mil avos desta condição primitiva é já um inevitável discurso. Não sou, vê lá, retor. Não sou mestre. Quisera sê-lo, assevero! Contudo, parte desta imoral síntese, dividida de modo ímpar, toma para si parte de um restrito e ígneo começo - o começo que flagela e ao mesmo tempo modifica!

Pontos, contínuos argumentos, expressivos diálogos, contusos momentos de lucidez que pairam sobre a fronte. Um
resíduo amaro, uma imprecisa corda, um gesto nada ortodoxo. Cada abismo, díspar; cada desejo, fabricado. Que fazer? Domar os resultados, embrutecer a crua alma, cindir parte deste obtuso caminho desesperador?

É possível, no entanto, guardar o silêncio - tão hábil e ao mesmo tempo corrosivo!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 14/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/14/2005 4:31 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h04 AM
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Perceba

Pequenos sentimentos, impressões que castigam os vulneráveis passos, gestos e secretas fantasias - sempre em ebulição!

Os pontos pálidos, as curiosas marcas, os olhares tênues que dissolvem os mesmos sinais, as potentes mudanças, os gritos deste ardiloso silêncio.

Os contínuos horizontes, presos à fórmica maneira de amar, são rijos, projetam-se, assim enxergo, para o além (este limite que somente a previsibilidade humana - falha - ousou definir!).

Quisera parte deste afago. Os olhares intensos, os frágeis alicerces que golpeiam os cínicos e imprevisíveis discursos...

Minhas manias talvez sejam obtusas sensações - elas que perturbam e  derrubam a tez já fatigada!

Condições precoces, risos e formas, e complexos amores, e pequenos distúrbios que pousam sobre o corpo
cada vez mais disposto aos críveis momentos de lucidez.

Inexato este argumento. As dúvidas constantes, o amor que não vem, as carícias que aos poucos começam a perder os contornos, os joguetes - tão habilmente erigidos!

Mínimas direções, secundárias hipérboles, momentos e cicatrizes - sempre tão diferentes!

Crises voluntárias, estertores mínimos, expressivos diálogos que um dia ousaram fabricar parte de um mesmo sinal de crueza - a crueza que entorpece e ao mesmo tempo dilacera o medo (sempre mais próximo do corpo!).

Contornos, relações ígneas, momentos e decadentes impulsos.

Nada mais. Os pálidos delírios, divididos de maneira insana, são fortes o suficiente para domar cada porção de angústia - tão poderosa que em certas ocasiões dissolvem os gestos da nua menina!

Abismos, insólitos caminhos, pautas imprecisas, carícias nada comuns, segredos e paradigmas, e contusos alicerces que projetam certas frustrações.

Cada imprecisão, cada desvio secundário, cadamovimento inexato.

A bem da verdade, sinuosa mulher/ninfa, os caminhos teus são mais do que necessários.

Suprem, de fato, minhas carências!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 13/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)1/13/2005 4:40 AM
 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h11 AM
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Nossas conversas

Consumir a nua mordaça faz-me sentir melhor. Os passos, incomuns, são forma, limite, delírio de um poeta que cauteriza parte deste símbolo inexato - este símbolo que caminha e, ao mesmo tempo, descreve (timidamente) a beleza do vivo olhar.

Sensações cruas, delicadas notícias, segredos e imagens, e passos tênues - mais próximos do amor (esta mordaça que suporta o mundo!).

Quisera macular a experiência heterodoxa, quisera sentir um sem parnúmero de desejos, quisera - no todo ou em parte - criar a veracidade. Mas algo, maior que o fulcro, reagiu inesperadamente.

Sãos estas as caríciasque ouso esboçar, são estas as horas que pairam sobre a fronte nua, são estes - por fim - os simétricos caminhos que anunciam parte de um mesmo critério de escolha?

As novidades nada criativas, as potentes e volúveis mudanças de humor, os gritos - sempre  mais próximos do etéreo sinal de  loucura!

Caem os limites, as peças, os segredos que minimizam os mais dispersos prólogos. De fato, esta crueza satisfaz - por enquanto - este poeta descontente.

De fato, minh'alma reage ao primeiro sinal de dor - ela que vulnera e cauteriza os possíveis e inexatos temores!

Vou-me embora. As justificativas, assim consideradas, pairam sobre o peito e traduzem - a bem dizer da verdade - os mais sandios e expressivos delírios, as mais cetrinas mudanças, os passos - e nada mais!

Condenado a conter a angústia deste secreto amor. As relativas e previsíveis sinalizações, parte deste evidente minuto, caminham com máxima delicadeza. E não há ninguém, assevero, capaz de romper com este sonho!

As muralhas específicas, as dimensões que pairam sobre o corpo, o rosto visivelmente cru - sem função, forma, amor (sublime e ao mesmo tempo distante!).

Pétalas pelo incomum solo,  linhas que passam a ligar minhas secretas poesias, minutos - e nada mais!

Preciso de tempo - tão vivo quando falta-me coragem para dizer o que sinto!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 12/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/12/2005 4:24 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 10h47 AM
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Conflito

Palavras. Estes sentidos sandios, estas curiosas maneiras de amar, estes delírios que causam certa mudança, certo espasmo em minh'alma.

Os gritos, possessivos, caminham, dizem que é preciso conter este insensato comando, esta voz que a todos perturba.

A fronte cansada, os olhares perversos, as curiosas maneiras de enxergar parte de um sensível prelúdio de fé - ela que condena e ao mesmo tempo absolve!

Quisera traduzir parte deste simétrico relato de fúria. As hastes nuas, os cardíacos pontos em comum, as decadentes passagens (sempre presas ao heterodoxo minuto!).

De fato, presenciara a mordaça cauterizar o sossego - este sinuoso e relativo limite de calma.

Os gemidos, parcialmente nublados, condenam-me, cercam-me, consomem-me. E os relativos impérios, divididos de modo singular, aproximam-se dos estreitos e complexos minutos de fibra (tão próximos do corpo - esta matéria quase sem impressão!).

Domar o acaso, seputar certas novidades,compreender que os amantes são ígneos. Minutos depois... algo pára. São os sinais primitivos, são as hipóteses nada comuns, são os gritos teus - evidentemente mais belos!

A sombra que destrói os pequenos alicerces, as vulneráveis poesias que somem com os mesmos sinais, a díspar e ineficiente mudança - sempre mais próxima da inestimável cólera!

De aço! O peito, em estado depressivo, é já forma e conteúdo previamente estabelecido. As dores, imorais, são o resultado das pequenas e ásperas conquistas.

Sentir o peso das horas, comunicar-se com a ninfa que venero, dizer - pelo menos um vez (e, quiçá, sem enigmas!) que o amor - esta pedra bruta - viola as mais potentes regras de conduta.

Sentir-se só. A angústia nua, os passos incríveis, as mudanças de humor - sempe mais fáceis de se identificar!

À noite, parte deste diálogo parece ruir; à noite, os sandios e díspares minutos são - a bem da verdade - o reflexo deste vate que consigo carrega parte deste cínico estratagema!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 11/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)1/11/2005 5:30 AM
 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h31 AM
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Intensidade

 

Corra e estenda parte deste discurso àqueles que desejam observar parte deste amor reprimido! Os olhos vulneráveis, amargos, são formas, instantes, necessidades primárias que cauterizam os sandios e estreitos tormentos. Minhas peças jogadas pelo áspero solo, minhas verossímeis constatações, os pequenos delírios - sentidos, quiçá, em virtude deste cardíaco instante de fúria!

Projeto-me além - na tentativa, frustrada tentativa, de desenvolver algo maior, algo sem coerente explicação!

Abandonar o curso das coisas seria notadamente infantil. Este grandioso império que construira, ou estas edificações modestas (em verdade, sabemos onde estão os nossos castelos!), pertencem aos volúveis sinais. Eles, como passo a observar, comandam certas necessidades, gritam, monologam.

Algo transforma-se. Minhas criações, repletas de justificativas, apoiaram-se nos mais sinceros e decadentes prelúdios. A imagem, serena, é já forma, luz, medida urgente. Os laços da incognoscível fé, deitados sobre o nu solo, proclamam mudanças - ou simplesmente tentam erigir as mais concretas medidas para golpear o rosto parcialmente destruído!

Deixar esta sala. É o que pretendo neste febril instante. Erguer parte deste conteúdo disperso... Apenas e tão somente a curiosa fronteira. A sensível mudança, passional, tornou-se descendente do vivo espasmo. Nestas horas, será preciso deixar o local e condenar o corpo ao eterno abismo. Este vazio, existencial, compromete parte deste desejo, mutila a tola poesia, descreve - com imparcialidade - que é necessário romper com certos grilhões.

Um gemido forte, uma sandia expressão, um embuste  gélido e que consagra a constante fúria - quiçá, assevero, hereditária!
Páginas ígneas, fronteiras pálidas, impressões que tocam os mais preparados. Sobre a triste mordaça, um caminho que poucos desejariam percorrer; sobre as firmes expressões, delicadas e simétricas mudanças.

Este foi o grito que precisei ouvir!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 10/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/10/2005 5:16 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h18 AM
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À mulher dos encantos meus

 

 

Repouso sobre a forma nua. Os encantos sentidos, as possíveis e inimagináveis sensações, os encontros - heterodoxos - que revelam certa nostalgia, certo encanto pela vida - ela, bela e ao mesmo tempo fugaz!
Contornos, segredos, paradoxais imagens que carregam consigo os mesmos sinais, as urgentes justificativas, os nefáveis encantos - sempre tão realistas (pelo menos para mim, filho da insegurança!).
A crueza nada comum, os alicerces que caem, as ruínas que dizem aos omissos risos que é preciso golpear a tola tez. E agora? Que fazer? Dedicar certa culpa ao estado nu, construir um mil avos desta letárgica saída, domar o cardíaco minuto de sanidade e dizimar parte deste sereno fulcro? Perdas. Eis o que passo a
observar. As caminhadas noturnas que não faço, as verossímeis maneiras de amar, o poema que escrevo - talvez porque queira, no todo ou em parte, revelar que a amo. Este possível relato de fúria, angustiante fúria, é já o resultado que - um dia - pude esperar. Nossas urgentes necessidades, nossas concretas frustrações (cada qual com suas mais sinceras idiossincrasias), nossos quebrantos - sempre tão próximos!
Um terço deste império em ruínas, profundas ruínas, causa-me certo estupor. Contudo, caminho - na tentativa, áspera tentativa!, de desenvolver algo maior. Mas o cérebro, escravo do medo, não reage. Mostra-se acuado, nu por não descrever - com palavras simples - a urgência dos gritos meus! Que fazer, então? Tocar o objeto do amor? Já o fiz.
E agora? Dizei-me, ao menos uma vez, quais necessidades devem - primeiramente - ser despidas! Este estado de desespero não é, confesso, saudável para ninguém. O corpo, as páginas em branco que desejo preencher, as justificativas, plausíveis justificativas!, que caminham junto ao riso teu - bálsamo, etéreo bálsamo!
Minhas cicatrizes,
minhas peças de aço,
meus contornos nada ortodoxos.
Insisto - até que perceba: exalto o verde e o branco (tão vivo e ao mesmo tempo tão delicado!).


©Adriano Guia Ferraro

 29, 09/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/9/2005 7:51 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 01h53 PM
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Seguro

... e os olhos teus, simétricos, evocam a beleza - a exata beleza que consome parte de minh'alma, cada vez mais suicida!
Os encontros que não tive, as imagens que reneguei, as passagens - curiosas - que caminharam sobre os críticos ensaios, sobre as manhãs parcialmente nubladas.

Gosto do céu. Gosto do tempo amaro. Gosto da natureza - às vezes, observo, violenta!
Estes espasmos sem forma, estas criteriosas urgências, nossos mais secretos prelúdios - ou memórias de uma vida outra!
Cair em eterno abismo! Cada prólogo, identidade do meu ser, é já um esboço, uma cura - fictícia - que atende pelo nome de fé. As marcas aqui encontradas, ou as sombras quase negras, são formações de um dia nada produtivo - ou quiçá sejam mais um minuto onde cólera alguma poderá romper com este delicado silêncio!
As impressões sem sentido, as curiosas mensagens, as irracionais cicatrizes que domam o peito e escravizam a outra parte de minh'alma. Preciso, confesso, do afago teu. Ela, mulher/menina - forte e bela, e ígnea quando diante das mais íntimas afirmações.

Preciso da inocência. Ela, tirada do corpo meu, teria melhores condições para julgar, para defender, para, por fim, iniciar um longo e assustador debate.
Nossas urgentes manhãs, nossos pecados noturnos, nossas fantasias - realizadas no ano de 2001.
O ar de Santos, certa feita disse, mais seco está. O ar de Santos (não o do vate!).
Acordar ao lado teu tornar-me-ia um homem melhor? Já não sei. Decifrá-la, erigir um poema contundente, mostrar, a todos, o quão viva és. Não posso. Algo impede-me. Algo que resolvemos, por simples "aquiescência", denominar distância. Ela castiga, mutila o espírito, traduz certa revolta - a revolta do amor (ou do amado!).
Perco-me, submeto-me às mais cruéis análises, justifico as mais intensas manias. E o corpo, prostrado, mostra-se mais preparado, mais firme - diria forte.


Nossos encantos, nossas promessas, nossos desejos. De fato, mais calmo estou!


©Adriano Guia Ferraro

29, 08/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)1/8/2005 5:03 AM
 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h35 AM
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Em (de)formação


A mão que afaga este trecho de incerteza, os relatos de febre que percorrem as críveis hipérboles, os testemunhos - às vezes, tão vagos!
Não vejo melhores saídas. Os gritos, divididos de modo instável, cauterizam-me, rompem - a bem da verdade - com os pálidos estertores, caminham (para, quem sabe, demonstrar que inda é possível domar certos anseios, certas escolhas, certos prólogos que insistem em aparecer!).


Ruínas ígneas, confusos relatos de fúria, íntimos momentos

- estes momentos que a alma guarda sobre o peito nu!
Procurar as estreitas estradas, dividir o tolo minuto, erigir um pequeno discurso - este, forte o suficiente para conter as asperezas de mais um dia.
Torno-me voluntário, perco-me, estabeleço - bem sei - a curiosa e irreversível maneira de amar.

E estes embustes primários? Inda existem, inda reagem quando os tolos segredos ousam domar certos alicerces?

Ruína. Eis a palavra. O contorno sem forma, as diretrizes quase nuas, os possessivos instantes de febre que condicionam certas mudanças de humor, certos aspectos, certas expressões que inda dormem sobre a ríspida e decadente fronteira. Minhas armas, de aço, fabricam fantasias, rasgam - no todo ou em parte - um terço deste simétrico e intruso momento de felicidade...
As cardíacas fronteiras, as insustentáveis e urgentes passagens, os gritos - omissos gritos! - que descansam sobre as mesmas hipóteses (sempre mais fáceis de construir!).


Confuso esboço,
intruso sem par,
dias e estreitos relatos
que dormem sobre as instáveis e necessárias paixões - tão secretas que o corpo inda não as percebeu!
Volúvel desejo,
império crítico,
verídicos caminhos que subtraem os pequenos trechos de certeza. À noite, estas distantes manchas insistem.

Nada mais. O corpo, sedento por novas notícias, posiciona-se e
constrói, a bem da verdade, um castelo seguro. Nele, habitam o monstro e o prisioneiro.

Dentro de mim, estas duas personagens!


©Adriano Guia Ferraro

29, 07/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/7/2005 5:11 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h10 AM
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Esteiras


Partem-se os gritos. A inevitável maneira de amar o riso, perde-se, rompe com certos minutos, interfere - de modo considerável - neste sandio projeto, o tolo e delicado projeto do medo!
As constantes manifestações deangústia, os pálidos instrumentos de fúria, as cardíacas mordaças que interferem no processo nada comum.
Estas estreitas maneiras de amar, estes caminhos heterodoxos,
estas fantasias - nuas e que decifram o verde, o azul, a poesia dos íntimos movimentos! E agora? Estes quebrantos podem ser decifrados, estes sinais de lucidez podem acompanhar a tenra medida, estas  certezas - cruas - podem domar parte de um  mesmo projeto?

Não mais.

Cada horizonte perdido, cada idioma partido, cada dimensão nua que toca, verbaliza, condena, maltrata, cauteriza, submete,
destrói... jaz!
Um minuto e a vida passa. Passam,  também, os gestos, as potentes faces, os sinuosos ensaios que percorrem os mais inevitáveis diálogos (tão frios e ao mesmo tempo tão fortes!).

Nossas fáceis manchas, nossos segredos de mármore,
nossas preces - parcialmente destruídas! Este algoz, vulgo filho do tempo, manifesta-se. Deixa, neste espaço, um terço de cada mudança - ou talvez deixe a tola e inexpressiva vontade de ferro!
O que procurar além deste símbolo caído? Devemos procurar sensações, páginas inconstantes, mutações e pequenos delírios, e falhos prólogos - capazes de anunciar esta triste e decadente febre!
À noite, um impulso, uma  delicada sombra invade parte deste corpo  obtuso. Resíduos. É o que passo a enxergar!

A dor - crua dor! - é já um espasmo contínuo, um relato seco, uma mordaça (sinuosa mordaça) que passa pelo amor sem sentido - hoje, observo, assim considerado!
Pujante justificativa, inicial pesadelo, semblantes pesados - talvez porque encontraram algumas das muitas respostas queridas!


Sobre o palco nu, um engodo; sobre a face tênue, prantos aparentemente visíveis!


© Adriano Guia Ferraro                                   29, 06/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)1/6/2005 5:44 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 12h15 PM
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Projetos


Estes simétricos olhos, estas nuvens sem sentido, estes covardes limites de fúria que tocam, subtraem, monologam
e não pactuam com os
mesmos sinais de loucura. Este pequeno gesto de lucidez, estas certezas - divididas de modo insano -, estes critérios nada obtusos que comemoram os delicados prantos - sempre mais próximos que o delicado minuto de culpa. Nossas impressões quase mortas, nossos gemidos insones, sensações e valores, e possíveis diagnósticos que cauterizam, machucam, condicionam os insuficientes delírios de febre. Devemos consumir um pequeno alicerce de fibra. Os amargos segredos, dividos de modo ígneo, reduzem os vivos anseios ao pó - este quase-átomo de transformações! Cada verdade sem par, cada flagelo disperso, cada vestígio que consome a delicada insensatez e dissolve - no azul nu - as estreitas e disformes maneiras de amar. Um pequeno recuo e os imprecisos caminhos socorrem-se aos limitados delírios. Um acordo primitivo e as escolhas profanas - mais fáceis de lidar - ousam romper, assim observo, com as tristes e serenas maneiras de amar. O corpo em contínuo desolo, aspequenas mudanças de humor, os covardes temores - sempre próximos da estreita e incurável patologia!

Estas ruínas sem forma, estes abismos informes, estas pálidas manifestações de loucura que tentam - a bem da verdade - resumir o cálido impulso a um mil avos desta síntese nada comum.
Perdôe-me se assim posiciono-me. Mas as urgentes mordaças, divididas, selam certas palavras, condicionam certos embustes, cauterizam nossas mais secretas passagens.
Um vazio,um grito,uma foice - apontada para a nua fronte -, um caminho áspero (quiçá descendente dos sandios e delicados estertores!)
Cada resíduo de fúria, intenso, é já um produto final - este, confesso, deformado (vez que a viva incapacidade mostrou-se forte o suficiente para romper com certos padrões!).

Perco-me. Este acordo, aos dias tão ortodoxos, produzem insones abismos!


© Adriano Guia Ferraro, 29, 05/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/5/2005 5:48 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h50 AM
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Nossos passos

 

Pontos nus, escolhas serenas, dias e noites, e insuficientes delírios que
pousam sobre os ombros nus - estes, assim confirmo, mostram-se cada vez mais
ígneos (prestes a desenvolver forte
patologia!).
O grito sem forma,
as possíveis mudanças de humor,
os olhares que caminham de modo
insano - na tentativa, frustrada tentativa, de romper com certos
caprichos.
Os olhares insanos, os mesmos delírios - sandios
por natureza! A cálida forma
informe, os pequenos elos que
insistem em aparecer, as díspares - mas
vorazes - condições de loucura. Estes
sinais fictícios, presos por um sem
par número de afirmações, reagem,
conduzem o corpo ao abismo vil. Nossos
ensaios, próximos dos sandios encontros,
são fortes - carregam, a bem da verdade,
um pequeno
discurso, uma centelha viva...
Posicionar-se de modo intenso. Os gestos,
vulneráveis, contém certos espasmos,
desenvolvem certas mordaças,
encontram - no todo ou em parte - os
mesmos vínculos, as mesmas sustentações,
os mesmos critérios de febre (talvez,
afirmo, insensatos!).
Faces nuas,
lúgubres medidas,
pequenas manifestações de fúria
que suportam os
críveis relatos de
fé. Estas rochas,
amaras, são fortes,
intensas,
precariamente intrusas. Nossas
mínimas intervenções, nossos
arcabouços - projetados de modo tímido -, nossas serenas mudanças (divididas de modo impróprio!).
Vou-me embora. Retirar-se do local. Eis o
que é preciso fazer! Contudo, será seguro posicionar-se de maneira sensata para, quiçá, erigir um terço deste simétrico e decadente discurso?
Pontos incomuns,
relações primárias,
épocas e distúrbios
noturnos, imagens - sempre mais
próximas do
insustentável prólogo de angústia!
Não mais. A urgência dos
joguetes,
as imprecisas manhãs, os
covardes impulsos - sedutores em determinado momento!
Nossas inseguras páginas,
nossos risos intensos,
nossos poemas. Eles, vivos, inda reagem? Com máxima certeza, sim!

© Adriano Guia Ferraro

 29, 04/01/2005

 Santos / São Paulo / Brasil)

1/4/2005 8:45 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 02h49 PM
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Reparos


Vamos embora. Aqui não há lugar para o medo - este devorador de esperanças! A crua e cetrina manifestação de angústia, dividida de maneira informe e poética, traz - consigo - um terço deste desejo morto (tão morto que o riso, este alicerce de ferro, ousou - pela vez primeira - conter certos joguetes, certas mudanças, certos ensaios que tocam os mesmos sinais de loucura!).
A pálida impressão que ficou,
os olhares nada vulneráveis,
as cardíacas fantasias que
devoram os mesmos anseios, as
mesmas e delicadas poesias,
os ulteriores projetos... Devo reagir. A impressão, lúcida, é já uma forte aliada. Contudo, nada
diz. Pelo contrário, cauteriza o riso, a crueza dos minutos perdidos, os horizontes últimos - filhos de um mesmo minuto (este, prestes a fenecer!).
E as estreitas mudanças? Estão mais
receptivas, criaram menos problemas, devoraram menos alicerces? Devo
considerar, a bem dizer da verdade, que o espasmo a mim não pertence. Tornei-me, no todo ou em parte, um menino covarde, curioso, felino, amaro, cru,
impiedoso, descendente - enfim - dos valores e dos vícios (inerentes à espécie humana!). No entanto, somente vícios passo a enxergar. Esta crueza sem par, dividida de modo insano, é força viva - aquela que aduz, aos dias tão insustentáveis, que romper com certos modelos é imprescindível!
Vou-me embora. As fantasias que deixara pelo canto estão apodrecendo. Delas, confesso, não mais preciso. Sou novo, homem/menino/menino/homem - quiçá forte o suficiente para não cair!
É vivo este
relato de
febre? É prudente esta complexa maneira de
amar? Sínteses, poemas, cárceres, algemas, motivos, insanos pactos, partos últimos.
À noite, este informe segredo parece romper com certas circunstâncias. À noite, estas imagens golpeiam a tez visivelmente abatida. À noite, os funestos ensaios são formas, carícias, minutos que inda não caminharam com a devida urgência. À noite, por fim, esta forja, assevero, sobreviveu!


© Adriano Guia Ferraro,

29, 03/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/3/2005 5:55 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h56 AM
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Vivo

Parar. Eis o que preciso fazer! A culpa existencial, os segredos nada ortodoxos, as possíveis maneiras de amar o amor - sujeito de tudo e de todos!
Complexa mordaça, insustentável novidade, manhãs e críticas lacunas que cauterizam os mesmos sinais de angústia - ela, devoradora!
Devemos erigir as partes deste
sandio discurso, devemos anunciar
o delicado minuto de fúria e consumir
um mil avos deste simétrico prefácio?
Parece que ninguém responde.

O toque desesperador, dividido de maneira
tola, caminha, esboça certa ousadia - em
nome, quiçá, dos valores - tão arduamente conquistados!
Os instrumentos nada vivos, as curiosas passagens
que consagram certo grau de aspereza - ela que devora, combate certos estertores!
Este estratego inicia o ano de  maneira insana.

Traduz, quando nada há para traduzir, um pequeno gemido, uma  espécie de socorro, um cardíaco sinal de certeza

- inserida delicadamente sobre o peito nu

(talvez vítima do acordo - este  presente nada comum!).


Vitórias, espasmos, esperanças nuas que carregam consigo expressões, mordaças, carícias de um mesmo sinal - ele que devora o corpo, instrumento mais hábil para resistir às querelas que insistem em aparecer!
Os braços teus, nus; as complexas e voluntárias expressões, delicadas; as potentes justificativas, filhas do insone minuto de febre, jazem.

E agora?

Este produto insano é forma, curiosidade mórbida, criação? Nossos tímidos olhos, fictícios, nada expressam. Há, sobre a carne, um gélido sopro, uma díspar insanidade, um contorno nada preciso. Estes ombros firmes, estas certezas cruas, nossas hipérboles - sempre tão bem definidas!
Quisera apoiar o sereno corpo sobre alguma pedra. Ela, insensível, previu - com larga antecedência - a possibilidade do riso

(mas, confesso, recusou-o!).


Nossas marcas,
nossos gritos,
nossos berços.

A bem da verdade, sinuosa mulher, estes alicerces de fé inda reagem quando tocaram - pela vez primeira - os anseios dos gestos teus!

© Adriano Guia Ferraro,

29, 02/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/2/2005 8:00 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 02h02 PM
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