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"Adriano-Poesia"
 


Nu e confuso

 

Às vezes, a simples forma de amar o amor

é sombra, medida intensa, volúvel tentativa.

Em verdade, os olhos nus, divididos de modo ígneo,

 rompem com certos alicerces, constroem certas tentativas,

conversam e dialogam - no todo ou em parte - com os vivos

e secretos rompantes de fúria.


A possível justificativa, as hereditárias maneiras de cauterizar o corpo

em flagrante posição, os delírios de mais um dia

- sempre próximo (indecentemente próximo!).


Contornos amaros, estreitas manchas, recados que pairam sobre a chama crua.

Cada relato de febre, cada trecho de sanidade, cada mudança...

De fato, nada enxergo. Esta miopia, própria de quem oculta certas verdades,

é contundente, mostra-se - assim observo - mais apta a condicionar o poeta

(ele, filho do medo e da poderosa e eficaz letargia!).

 

Projetos ímpares, ácidas muralhas,

encontros reais
que tocam os gestos, os gemidos,

as fronteiras de um mínimo acordo.
Perco-me, assim entendo.

 

As reais justificativas, alvas como a nuvem mais bela,

conservam certos abismos, anunciam que é preciso voltar.

No entanto, ninguém consegue - em hábil tempo - conter certa alegria.

Ela, monstruosa, é contundente, voraz, filha de um sem par número de promessas.

A crueza sem forma, as pequenas e limpas vestes, os olhares mais próximos.


Confesso que estas alegrias são obtusas. Causam-me, assim relato, certa dependência. O abismo das palavras,
o mergulho quase irresponsável,

A depressiva face em visível desolo.


Encontrar os alicerces, fabricar as medidas, condicionar a possível renúncia

(frágil, evidentemente frágil!).


Devemos seguir, devemos erigir certos acordos, devemos

- por fim - desconstruir as infindáveis tentativas de amar?

Começar de novo. Esta é a certeza que carrego.

A cínica expressão, covarde em certos aspectos, mantém-se em pé.

Derrubá-la, incerteza, inexatidão, delírio de um vate que pensa ser

- a bem da verdade - humano (simplesmente humano!).


 


©Adriano Guia Ferraro

 29, 31/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)1/31/2005 5:51 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h55 AM
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Momentos

 

 

Todos os pontos, todas as conquistas, todas as formas de amar

que cauterizam parte de um sem par número de condições.

 

O grito, provavelmente herança, tornou-se cru, delicado, informe.

Quisera, a bem dizer, a síntese simétrica, os contornos sem formas,

as dúvidas de mais um dia - ele... sempre primitivo!

 

As possíveis justificativas, as horizontais maneiras de conter a tola fúria,

os encontros nada ortodoxos que pairam sobre a pureza dos instantes amaros.

 

Vou-me embora. A delicada atração, firme, toca-me, prende-me, submete-me

ao intenso minuto de dor (a dor que procuro ou mesmo sinto!).

 

Palavras tristes, cálidos esboços, momentos e estreitas fantasias.

Dizer o quão importante és tornou-se necessário. Padeço, de fato.

 

Nossas importantes provações, nossos completos alicerces,

importantes decisões que tocam os mais ímpares segredos.

 

Quisera a inevitável forma, quisera um pequeno açoite, quisera a crua maneira de amar.

No entanto, observo, os pálidos gestos - tísicos - são únicos (provavelmente raros!).

 

Mordaça incomum, estreitos minutos, laços e fantasias e, delicadas impressões que ficam presa na viva retina. As expressões nada tolas, os conflitos ígneos, as decisões nada constantes.

 

Os olhos meus, divididos, encarnam certos aspectos, dividem certas conquistas, enaltecem - aos dias tão ortodoxos - um tímido contorno (comum, parcialmente comum!).

 

A crueza das palavras,os insustentáveis minutos de cólera,as instáveis muralhas que ameaçam cair - em nome, quiçá, da gástrica e intolerável nostalgia (predadora voraz!).

 

Contusos vínculos, hereditários pactos, rompantes de insanidade que pairam sobre os corpos dos cínicos amantes.

O possessivo amor, as inconstantes necessidades,os possíveis gestos que triunfam sobre as pálidas impressões.

 

A díspar fortaleza, erigida de modo insone, traduz certa aspereza. Ao menor sinal de ausência, um desfecho que mutila o corpo e corrói a nua e imprevisível certeza!

 

©Adriano Guia Ferraro

 

 

 29, 29/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/29/2005 9:07 AM

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 06h26 PM
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Seccionar

 

Projetos intensos, crueza sem forma,
aspectos tolos que vulneram parte de um mesmo minuto de febre.

As estreitas maneiras de consumir o corpo, as pequenas e hereditárias sementes, parciais apoios que traduzem certos receios.

Estas projeções, nada normais, associam os pequenos distúrbios às críticas e funestas fantasias.

O grito sem par, as hereditárias mudanças de humor, os encontros permissivos - estes, sempre mais próximos da cínica maneira de amar!
Elos, fantasias, fantasmas que correm e brindam a um pequeno discurso - evidentemente sem retórica!

A pequena e instantânea nudez, os horizontes que caem sobre a tênue dimensão, os covardes passos - mais próximos do alicerce!
Abismos, fantasias únicas, momentos e desejos, e farsas, e alicerces que pairam sobre os joguetes sem forma.

A morte voluntária, os aspectos de dor, as visíveis proporções - ainda mais ácidas!
Mudanças, pontos em ígneo lamento, sensações que caem em visível descrédito.

Sobre o ponto nu, a firme a voraz face; sobre os trechos teus, um encontro que jamais ousei definir!
Mas não basta assim posicionar-se. Os desejos, mais volúveis, enfrentam problemas, caminham com dificuldade, transmitem insegurança.

Esta fortaleza, estes cetrinos impérios, críveis notícias de mais um dia de fúria.

À noite, quando os relativos açoites enfrentam certas sensações, minh'alma - sandia - torna-se escrava, vulnera - em parte - um sem par número de condições. Estes dizeres, de ferro, ousam reagir, dividem - timidamente - valores. Esta chaga ímpar, estes dantescos sinais de sanidade, nossas proporcionais
fantasias - aliás, observo, sempre mais aptas a responder aos tênues e instáveis minutos de fúria!
Valores incomuns,
hereditário projeto,
contusos sinais de angústia que pairam sobre as tímidas lembranças.

Mais um dia, mais um segredo, mais um calvário que a todos incomoda.

Este ácido relato, concluo, tornou-se - necessariamente - um ponto de apoio!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 28/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/28/2005 5:33 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h39 AM
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Conviver

 

 

 

 

Conservar o amor! Este riso sem sombras,

estas sensações que pairam sobre o corpo teu,

as dimensões de mais um dia - ele... ígneo predador!
Quisera o afago nu, compreendera a inexata expectativa, caminhara... Nada aconteceu

Os risos, voluntários, são forma, desejo simbólico, inexpressivo minuto.

Às vezes, parte deste esboço de fúria é contundente.

O amor pelos insólitos gestos, as terminais notícias,

os conflitos evidentemente perigosos que tocam, monologam,

definem que é urgente marcar certos acordos, certas projeções de aço.
O riso teu, as conquistas enfermas, os terríveis alicerces

que dialogam com os possíveis relatos de febre.

A dor dos instantes, os alicerces nus, as sombras que caem voluntariamente.

Esta forja, estes gritos, estes critérios nada possíveis.
Vou-me embora. Cada fantasia, de titânio, é vermelha, crua, estreita.

O corpo, em cetrina maneira de dizer o quão falível é o tolo relato, ousa

- a bem da verdade - cauterizar o vazio

(esta medida que somente os físios, quiçá melhores, desvendaram!).

A poesia cínica, os contrastes amargos, as possíveis sensações.

Procurara a ingrata fantasia. Os alicerces meus, os químicos esboços de fé,
as passionais muralhas.

Sobre os curiosos limites, a tísica e incomum força; sobre os passos íntimos,

a crueza de mais um dia.

Sombras estreitas, cardíacos verbos, insólitas mudanças

 - sempre mais próximas do insensível projeto de cólera.

Não há, confirmo, mais espaço para as letras.

Os péssimos sentimentos, as ingratas manhãs,

nossos pactos e jejuns, e falaciosos minutos.

Não posso erigir este discurso.

Fogem-me os argumentos, caem as duras medidas, caminhamos

- e nada mais!

Vínculos expressivos, delicados pontos, cordiais sensações

que anunciam certos enlaces - sempre tão distantes!

A vitrine e os cortes precisos.

Estas impressões, estes prólogos, estas noites que cauterizam os imprevisíveis delírios.

Partir (e nada mais!).

©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 27/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/27/2005 4:32 AM
 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h04 AM
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Degraus

 

 


Estreitos monólogos, caminhos sem forma,
crises e temores, e sínteses vazias que tocam - ou ousam tocar - as vivas e informes maneiras
de cantar o amor. A crueza sem vitória, as expressivas e momentâneaspesquisas, os confusos delírios
que jogam de modo absoluto - na tentativa, crua tentativa, de reagir.

Esta insana procura, este estertor sem forma, estes critérios que pairam sobre a nua mordaça e criam
monstros, conflitos, distúrbios de um sem par número de ações.
Vínculos delicados, sinais nada previsíveis, encontros cardíacos. A vitória que não foi coroada, as
distantes e sinuosas enfermidades, os cálidos desejos - ou mesmo as involuntárias facetas!
Projetos sem vida, ensaios curiosos, pálidas manhãs. Nossos elos "inquebráveis" inda podem suportar estes
tristes e ímpares segredos?

Perco-me, é verdade. A intrusa maneira de exprimir o gesto, as incontáveis lembranças que rompem os sinuosos desejos, as críticas pesquisas - talvez filhas de um mesmo caminho.
Os intrusos pessimistas, as estradas de aço, os concretos apoios - sempre mais evidentes. O covarde
estupor, o amor sem fronteiras, as fórmicas caminhadas que  condicionam os mesmos laços.

É possível seguir? Cada flagelo, de titânio, é sombra, condição, projeto, frieza, distúrbio, sensação incognoscível. Os rompantes de cólera, as esteiras amargas, osvivos acordos que pairam sobre o peito parcialmente danificado.

Máquinas. Esta palavra, repleta de significados, projeta-se além das expectativas humanas - sempre, confirmo, falíveis. Nós, falhos gigantes, compramos tudo. Somos, a bem da verdade, flores que inda não germinaram. Somos contundentes, senhores... imperadores.

As mãos, machucadas, respondem com dificuldade; os olhares, destruídos, tentam libertar-se desta crível e informe hipérbole.
Noite. Vazio. A relativa fronteira, os alicerces díspares, o corpo. Ele, projeto de um dia nada comum!


©Adriano Guia Ferraro

 25/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/25/2005 6:04 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 12h28 PM
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Justificativas

 

 


Não há melhores respostas!

A viva foice, dividida de modo intenso, tornou-se algoz,

cauterizou - a bem da verdade - os tristes e impiedosos riscos,

desenvolveu (enquanto os heróis inda resistiam) certas nuanças

- ou mesmo temores!

A crua e instável hipérbole, os gritos de veludo que rompem com certos alicerces,

as estáticas mudanças de humor que pairam sobre os tênues e insensíveis caminhos.

Projetos, encontros, sínteses e sensações, e covardes lembranças.

Às vezes, sinuoso afago, o tórrido segredo é forma, desejo, império.

 Contudo, assevero, as sinuosas conquistas - de aço! - projetam-se muito mais além.
As estreitas e universais mordaças, as sínteses de mais um dia de fúria,
estes imprecisos gritos que caminham sobre as previsíveis notícias.
Contornos, delicados amores, lúcidos jogos, estéreis vestígios, nus fatores,

químicos acordos, previsíveis conversas, constantes modelos.

 Certas asperezas, voluntariamente erigidas, são informes.

O corpo, amaro ao acordar, é - aos dias tão ortodoxos - firme, covarde, algoz...

Não mais, sinuosa fronteira!

 As estreitas condições, apoiadas em cínicas estradas, mostram-se mais calmas

- ou, quiçá, repletas de um sem par número de acordos

(eles que, como observo, invadem e produzem -com delicadeza -os tolos e críveis minutos de fé).

Vamos embora.

A crueza sem face, as estruturas nuas,
os objetivos primeiros que monologam de modo vil.

Estes relatos de febre, ou mesmo estas cítricas situações de emergência, não vivem mais.

Há certas mudanças, observo.

Mas a determinada escolha, ou mesmo os enlaces de um dia nada comum,

caminha, suporta o áspero aço. Como conseqüência...

É preciso recuar. Falar, nestas condições, é sinal de autoritária fraqueza

- comandante e ao mesmo tempo comandada!

 
Risos estreitos, sala nua, expressivos dizeres que inda exercem certa influência.

Minhas dores, meus objetivos, meus ensaios sem saída.

Preciso de respostas!

©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 24/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/24/2005 9:54 AM

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 04h38 PM
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Portas

 

 

Esta insana medida,
estes sinistros e delicados esboços,
estas sensações que cauterizam parte deste cínico e amaro minuto de fé.

 

Os sandios instrumentos cortantes, a fina lâmina,

os encontros - passionais - que recriam,

ou ousam recriar, certas fantasias, certos embustes, certos ensaios nus.

 

Nossas defesas arrogantes, nossos delírios marcantes,

nossas preciosas notícias - elas, concluo, edificantes!


Não há melhores respostas. O corpo, em etéreo estupor,

caminha, descreve - de maneira primitiva - o quão cínico e autoritário tornei-me.

A crítica mordaça, os estáticos dizeres, a insone crueza

- sempre mais próxima do vil estertor.


Confuso diálogo, insustentável resíduo, paixões ao vento

- sempre dispostas a consumir o corpo

e enaltecer parte de um mesmo minuto de febre.
Relatos, desfechos, contornos, imagens, ígneos cárceres

(sempre mais próximos do insustentável afago!).


Decadente esboço, síntese perversa,
covardia sem forma que cauteriza

e descreve - com vivacidade - o tolo e hereditário minuto.

Estas fendas, filhas de um sem par número de vestígios, consomem-me,

suportam o mundo e, desde já, exercem - ou tentam exercer - profunda influência

(ela, que em tempo algum, jamais veio!).

 

Os rompantes desta crítica febre terçã,

as caminhadas que consagram certos minutos de cólera,

as asperezas que descrevem os imprecisos e inimagináveis contrastes.

Sobre a foice primitiva, o fio - cortante - que a todos incomoda;

sobre as possíveis explicações, um distúrbio - ou parte de um cardíaco impasse.
Longas conversas,
intrusos meninos,
expressivos contornos que submetem-se às mais íntimas análises.

 

E estas sombras, nua menina?

Que fazem, afinal, aqui?

 

Encontros, dizeres sem forma, pequenas dimensões, inválidos trechos de poesia.

Esta incomum fortaleza, dividida de modo curioso, perde-se.

A identidade, nestas horas, é fúria, motivo, emoção sem par.

 

Quisera o resíduo... e nada mais!

©Adriano Guia Ferraro

 29, 23/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/23/2005 8:57 AM

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 03h18 PM
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Dos ensaios que não fiz

 

 

 

Perdera as sensações de mais um dia.

A crua e hereditária mordaça, os pequenos símbolos inexatos,

as concretas mudanças que descrevem parte de um sem par número de paixões.

 

O corpo em amaro desejo, as críticas prisões que anunciam parte de um mesmo sinal de fé, as estreitas e incomuns mensagens
que pairam sobre os delicados minutos de frieza.

As íntimas mudanças sem nome, os complexos sinais de letargia,

os encontros e diálogos, e fantasias, e gestos previsíveis

- sempre tão próximos do delicado desejo.

Ígneo começo, sensação cardíaca, projetos e curiosas medidas que circundam os alicerces mais expressivos.

 
A bem da verdade, sóbrio minuto, os estreitos limites não são mais do que sínteses,
mudanças, mordaças, movimentos, caminhos, esquinas, ruas,
delírio de um vate que inda ousa sepultar parte deste insustentável e disperso pacto.
As vivas fronteiras, os pálidos amores, nossas secretas algemas

que tocam os mesmos sinais, as mesmas certezas, os embustes de mais um dia de culpa.

 

Enxergo, assim observo, novas tentativas, novos acertos, novos ensaios que ousam fabricar - em sua limítrofe dependência - um pequeno e hereditário sinal de loucura (ela que devora, aos dias tão rijos, os sandios e entorpecedores vestígios).

Preparo-me para dizer o quão falível a estreita nudez tornou-me.

O órgão vil, repleto de sensações impróprias, pulsa, responde

- de maneira nada convencional - à altura dos cínicos e mercenários algozes.
Impressão complexa, delicado temor, enfeites que caminham sobre as tétricas

e horrendas notícias do amor.

 

Sobre o terreno fértil, uma delicada prisão;

sobre os passos teus, prelúdios que inda não podem ser descritos.
A vida em verso, o vivo e voluntário estupor,
as caminhadas - sempre primitivas - que reagem ao menor sinal de decadência.

De fato, crítico impulso, este crível esboço de frieza é desejo, resíduo, potência.

 

A bem da verdade, prostro-me!

 


©Adriano Guia Ferraro

 29, 22/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/22/2005 4:44 AM

 

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h00 AM
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Não há cura


Encontro-me com a sandia noite. Os passos insensíveis, a urgência dos tormentos, os cárceres que procuram os mais críveis desejos de intensidade.
A forma nua, os resultados ortodoxos, as curiosas maneiras de dizer que o corpo, este escravo sem par, é já parte
deste sendentário e incomum delírio.

Quisera, a bem da verdade, romper com este limítrofe "afago". A cor dos gestos, a estreita manhã, os golpes na crua tez que vulneram os espasmos, as conquistas, os dizeres cada vez mais ígneos.
Tocar sem sentir, cauterizar sem conter, erigir certas batalhas - em nome, quiçá, da triste e insensível maneira de amar!

Somos de aço, erguemos nossas mordaças, cercamos - no todo ou em parte - a áspera e sandia mudança (sempre mais próxima - evidentemente mais próxima!).

Apenas e tão somente os trechos de insanidade que percorrem os desgastados sinais de curiosidade. Nossas
fantasias, montadas com as mais delicadas plumas, são fortes, caminham com voracidade, acompanham - ou tentam acompanhar - o cortejo de mais um dia. Mas não há, assim entendo, relatos e reflexos, e tímidas escolhas.

Há falibilidade nisso tudo, observo!

Estes estreitos demônios, estes horrores que golpeiam o céu, estes horizontes que condicionam as mais secretas armas. A imagem de mais um dia, as constantes e mercenárias algemas, os gritos de festim que desenvolvem certa defesa - quando, na verdade, nada pode ser feito.

Um gemido sólido, uma inconstante ruína, um mil avos que desenvolve a crua e terrível forma de conter os joguetes nada ortodoxos. Quisera romper com os gestos teus. No entanto, algo pára - ou, se preferir, não mais pulsa.

Complexos amplexos, sinuosas e delicadas impressões, tísicos açoites que mergulham sobre o peito parcialmente nu. A estrada sem forma, os fáceis contornos de fúria, as hereditárias fronteiras que monologam de modo contuso.

Às vezes, sinuosa mulher, estes cítricos minutos são tão somente os gestos que, um dia, perdi!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 21/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)1/21/2005 5:33 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 12h02 PM
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Escuridão

 

... e as formas nuas, tolas, reagem de maneira delicada, fantasiam, escolhem - no todo ou em parte - um décimo deste sincero caminho de fúria. As escolhas que fiz, as estreitas mordaças, os contornos vivos que acendem os pequeninos limites. Estes, tão intrusos!
Vínculos que ficam, sensações que mutilam minh'alma, conflitos e escolhas, e trechos de sanidade, e vulneráveis estratégias.
À noite, quando os tolos olhos ousam romper com certas vicissitudes, os tristes trajetos, tísicos, tocam - a bem da verdade - a tórrida e tênue saída. Os covardes tormentos, as mínimas impressões, os açoites nada comuns. Eu, filho de um sem par número de situações; eu, amaro menino; eu, sandio e ao mesmo tempo crítico!
Páginas íntimas, segredos impronunciáveis, desejos que combinam certa dose de aventura - ela... sempre portadora da crível maneira de amar!
Contos ígneos, fantasmas nus, possessivos joguetes, marcasinformes, conversas e monólogos, e díspares movimentos.
Cru abraço, insano distúrbio, cárceres e ruínas que tentam brindar a um novo começo - este... desesperador!
A vida em verso,o cetrino fel, a corrente que molda, seduz, contém certas necessidades - quiçá, assevero, fisiológicas!
Perco-me, prendo-me à análise incomum, escondo-me. O medo, fiel escudeiro, é forma, impensável amigo, síntese de um sem par número de situações. Minhas impróprias pernas, meus desejos incorretos, minhas cardíacas diferenças - sempre próximas da insuficiente maneira de amar!
Apenas um segredo nada apropriado. A dúvida, corrente, é já um trecho de paz - ela que vem e toca, com delicadeza, a firme vontade de aço!
O corpo em estertor coletivo, a obediência ao silêncio ímpar, os nossos mais secretos prantos.
Quisera, aos dias heterodoxos, compreender os desejos teus; quisera, assim entendo, monologar e estabelecer - de fato - parte deste singelo depoimento!


© Adriano Guia Ferraro

 29, 20/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil)1/20/2005 10:47 AM
 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 09h22 PM
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Estável


Talvez devesse romper com os tolos e insustentáveis minutos de sanidade. A viva e fórmica maneira de amar, os pequenos telhados de vidro, as sensações - obtusas sensações! - que cauterizam o corpo, as estradas, os embustes de mais um dia insone.
Produzira certas fantasias. Elas, firmes. Possuem, a bem da verdade, uma forma, um vazio, um caminho que toca a serena e
instável forma de amar. Quisera romper com estes grilhões.

Quisera parte desta peça. Quisera, também, os acertos para o vivo e decadente sinal de lucidez. Os ombros amargos, as precisas e informes maneiras de erigir um fácil discurso, as sentenças que pairam sobre os risos ígneos - estes, como observo, tornaram-se melhores (ou fortes o suficiente para combater parte desta sedentária medida!).

Reflexos tolos, incomuns pontos, gritos e dizeres, e possíveis contornos que tocam os mesmos trechos de insanidade - ela que devora o corpo quase morto!
Pontos, acordos, e díspares minutos, e pequenos encontros, e sóbrias sensações de loucura. A poesia disforme, os críveis açoites, as supremas e necessárias pontes - elos sem igual!
Criações sem par, encontros presumidos, contornos insensíveis e que tocam parte deste sereno projeto de cólera.

Perdera a insana poesia. Os laços, as incomuns palavras, o desejo de formar um pequeno esboço de paz - tão desejada, tão esquecida!
A visível foice, os trechos nada sandios, as escolhas que rompem com cada minuto de fé - devoradora de homens!
Ritos sem par, volúveis farsas, épocas nuas que descrevem os terminais contornos.

A vida crua, os alicerces parcialmente destruídos, as crises de mais um dia.

Longe de cauterizar a intensa justificativa, perco-me; longe de descrever a sensação mais bela, prostro-me. Um encontro, uma gástrica e incompreensível mordaça, um mil avos que desenvolve certa patologia.

Sobre o fio da potente navalha, um gemido que a todos incomoda!


© Adriano Guia Ferraro

 29, 17/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/17/2005 4:30 AM



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 10h54 AM
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Estreito discurso

 

 

 

 

 

Estes segredos não são meus.

São, quiçá, do amaro mundo.

Nele, vejo rosas e cravos - a flor da morte (assim observo!).

Ela, que conduz o corpo à crua abiose, liberta - como definiram os mais fantásticos poetas!


Caminhos, sombras, sinuosas expressões, delírios e febres, e constantes dimensões

que cauterizam parte de um mesmo minuto de fé.


A poesia sem forma, as possíveis intimidades, as delicadas fronteiras

que rompem com os sinuosos e inesperados minutos de fúria - ela, redentora!


Cauterizar os pactos, estabelecer novas muralhas, conduzir o corpo

ao abismo das inexpressivas horas.

Os longínquos detalhes, as sinuosas avenidas, as ruas e as estradas que consomem o corpo,

o vil açoite, as conquistas que ousaram repousar sobre o peito parcialmente nu.


Não mais que sensações ortodoxas!

As previsíveis mensagens, de aço, golpeiam a tez, subtraem certos encontros, conversam - enquanto o vivo minuto inda ousa trilhar certos modelos - eles que, em tempo algum, foram melhores que o corpo (sempre em visível depressão!).


Sobre o alpendre, um sinal nada vil; sobre a crua mordaça, um delírio nu

- ou sedentário, assim analiso!
As vitrines translúcidas, os covardes açoites, as proporcionais circunstâncias que convergem
para um mesmo ponto - o ponto do amor, sempre vivo e ao mesmo tempo constante!


Diálogos, impressões sem forma, curiosas marcas, destinos que forjam os insones aspectos.
Dor, paradoxal manhã, crível desejo - este, como observo, sem forma!


Dores, reflexos, conflitos e destinos sem par.

As possíveis e incapazes mordaças, as conquistas insuficientes, os gritos

de liberdade que apontam os erros e os inevitáveis sinais de instabilidade.


A queda perturbadora, os elos incompreensíveis,
as voluntárias e cardíacas impressões - sempre mais fortes!

Desolo, condição sublime, vulnerável forja.

 

Este império, sinuosa mulher/ninfa, é forma, condição e desejo.

Este império, teu!


©Adriano Guia Ferraro

 

 

 29, 16/01/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 1/16/2005 8:20 AM
 

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 03h50 PM
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