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"Adriano-Poesia"
 


Estáticos fantasmas

Principalmente atenção. Eis os passos que guiam, maculam,

transformam as certezas que invadem a vida - tão viva, real, decididamente concreta!
As expressões que pairam sobre os vulneráveis caminhos, as caminhadas mais seguras, as cruezas que tocam e descrevem,

e invadem os tolos e elementares minutos de cólera.
Vínculos, pálidos resíduos, únicos pontos, ácidos declínios. Vou-me embora.

Devo, a bem da verdade, conter o riso, expor menos os rompantes, diagnosticar e - quiçá - seccionar o que de impuro existe.
Melhor assim. Ser preciso, conciso, evidentemente melhor (ou frágil - conforme se observa!).
A miopia dos trechos,
as elementares circunstâncias,
os valores que pairam sobre o peito parcialmente seco.
Quisera a inexatidão das horas, quisera o rito menos complexo, quisera - de fato - tudo

(ou nada - conforme se enxerga!).
As estradas amargas,
as complexas decisões, os locais menos volúveis.

Preciso dos gestos tranqüilos,
preciso das horas menos ígneas,
preciso de vulgares trechos - quiçá para romper com certas idiossincrasias.

Contudo, portar-me assim seria romper comigo - poeta em evidente transformação.

Mas também seria negar o novo (às vezes,professo, melhor - infinitamente melhor!).
Que existe, afinal?

Um diálogo preso, uma viva esperança, uma centelha de liberdade que pousa no peito nu
e traduz - com firmeza - as mudanças que insistem em aparecer?
Definitivamente precisamos de algo. Definitivamenteprecisamos do crível
contato. Ele, agora, é seco, inexato, disforme.

No entanto, devo expressar minha grande paixão pelo heterodoxo. Alimenta-me,
consola-me... invade-me.
Entrega. Esta é a chave, este é o trecho que posso - a bem da verdade - vir a conhecer.
As impressões que ficam,
as ruínas que encontro,
os delírios (firmes delírios!).
Sobre os trechos que tocam o poeta, um verbo, um verso, uma forma de compreender o que realmene existiu!


©Adriano Guia Ferraro

 29, 15/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/15/2005 13:21



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 06h26 PM
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Névoas

Névoas

 

 


Silêncio nu, ensaios amargos, sinais e confusos toques,

e contusas maneiras de exprimir o que pode

 - através das palavras - ser revelado.

A imperial forma de amar, as sínteses que insistem em aparecer,

as comuns notícias - mais fortes do que o vate.
Apenas um cálido e desajeitado minuto de febre.

As expressões, os minutos impuros, as teratológicas tentativas

- sempre produtivas, visivelmente produtivas!
É sensato recuar e resistir, e traduzir um pequeno minuto de febre?

As estradas amorais, os concretos minutos, as nuas condições,
as certezas que invadem minh'alma e decifram

 - bem sei - as sínteses, os passos, o vulnerável e imprevisível amor!

 

Cala-te, poeta! Estas sustentações, assim as considero, caminham

com delicadeza, enaltecem certos embustes,
descrevem - com parcialidade única - as vivas fantasias, os temores,

as manhãs que inda resistem sobre o peito evidentemente cansado.
Amargos trechos de insânia,
comuns paradoxos,
informes modelos de conduta,
passos estreitos, monólogos intrusos, vozes e fantasias

que prendem o corpo e nectarizam

parte de um sem par número de tentativas.


Basta! Estas cruas imagens,divididas de modo intenso,
confessam certas mordaças, criam certos estertores,

glorificam e oprimem, e cauterizam as pequenas e inviáveis formas.

Devo considerar: estes abraços, estes risos simétricos,

Estas tolas notícias que pairam sobre as tênues e previsíveis maneiras

de conter o delicado resíduo de febre.
Farsa química,
embustes íntimos, provações que sacrificam o menino

em gênero, número e grau.
Sou, a bem dizer da verdade, escravo do medo, das manhãs informes,

da liberdade que condiciona a matéria e diz, racionalmente,

que é necessário partir. Isto mesmo. Partir.

Quiçá para não mais regressar.

A prudência, oculta em inquebrantável veracidade, socorre-me.

É preciso, pois, conter a calma. Ela, no entanto, não vem.
Deixe-me só. Preciso sair do escuro!


©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 14/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/14/2005 11:51



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 05h01 PM
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Condições

Condições

 

 


Acalma-te. Os passos não são mais do que simples impressões,

simples delírios que comprometem os vivos e sandios estertores.
A rua sem saída, os desejos de um vate cada vez mais ígneo,

as fronteiras - estas, em evidente combustão!
Cárceres, sínteses e sinais, e pequenos distúrbios que selam
os lábios dos menos favorecidos - incluindo, frise-se, esta forma informe!
A nudez sem palavras, os horrores cada vez mais impressionistas,

as fantasias de ferro que conduzem ao inexpressivo abismo.

Devo considerar, devo exprimir certos embustes

- para, quiçá, romper com as tênues e previsíveis maneiras de amar

o sujeito do amor.

 As críticas, as crises, as manhãs cada vez mais secas

- assim como o nu solo!


Devemos, no todo ou em parte, consagrar a exata beleza,

devemos justificar as possíveis noites,

devemos invadir a cínica e irreal fantasia?


Basta. Estes gritos, em evidente desespero,

tocam o impossível, resumem - no todo ou em parte - concretos espasmos, delicadas promessas, imagens

(sempre em contínua transformação!).
A crueza sem par,
os olhares tímidos,
as degenerativas ficções que traduzem

 - de maneira imprecisa – quais as ígneas formas de amar.
Vínculos indivisíveis,
expressões que não compreendo,
abismos e complexos alicerces,

e vivas fronteiras – sempre mais próximas,

evidentemente mais próximas!
Nada de mais. A sinuosa fronteira, as críticas formas,

as formações que avançam para um sem par número de impressões - calcadas, a bem da verdade, em sínteses que inda desconheço.

 
Vou-me embora.

Para onde? A imprecisão incomum, as sombras nada voluntárias,
os críticos impulsos que anunciam a tênue e sandia mordaça.

O corpo sedado, as irreais algemas, os olhares

que suportam certos desfechos, certas ações, certos minutos de cólera...
Fitar o riso frágil, urgência;

romper com certos paradoxos,

abismo que talvez nunca passe a compreender!


© Adriano Guia Ferraro

 

 29, 13/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/13/2005 10:35



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 03h39 PM
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Nuas caminhadas

Nuas caminhadas

 

 

 

É curioso este estado de cólera.

As manhãs, cada vez mais insensatas, correm,
decifram um sem par número de formas, corrigem

 - quando na verdade foi preciso golpear a tez evidentemente destruída!
As formas sem forma, as noites solitárias, o amplexo que não vem

 - assimcomo também não vieram o toque, o ósculo,

a saudade que toca e corta o peito!
Diga se necessário é cauterizar este delicado minuto de carência.
Diga-me se foi preciso anunciar - de modo canhestro –

que os olhos meus, gulosos, inda professam certas crenças,

certos objetivos que talvez a noite ingrata possa decifrar.
Contera a curiosa mordaça.

Ela, enferma, corrói o corpo, suplanta as vivas vontades,

algema - quando, na verdade, os vivos sinais de febre anunciam

um sem par número de sensações!
Delicada esta atração. A febre impura, as caminhadas nada ortodoxas,
as vivas fantasias que tocam e destroem os impiedosos gritos

 - estes, confesso, mais horrendos que os assimétricos diálogos.
Vida sem fulcro, elementares caminhos, passos e respostas,
e parciais justificativas que devoram a matéria do vate.
Não posso mais caminhar.

Os pálidos esboços, assim como as cetrinas respostas,

Nada aduzem. Estes delírios, estas guerras,

estes elementares imperadores que comandam - com cetrina delicadeza - os horrores que vejo pelo céu. É sobre a guerra que falo.

É um poema sobre soldados, crianças mutiladas, senhoras e senhores

que - em fecundo desespero - suplicam à viva piedade.

No entanto, ninguém responde. Não há certezas, concretos segredos,
manhãs floridas. Apenas o seco solo. De sagrado, insisto...
Paremos por aqui. Esta linha tênue, tão rara, é sublime,

informe, incondicionalmente insana.

As pegadas na areia rubra, os poemas que, modestamente, tentam curar
certas identidades há muito perdidas, os laços estreitos - tão próximos!

 

Sobre a crueza sem par, um vínculo resiste.

Quiçá seja um flor - assim espero!


© Adriano Guia Ferraro

 

 29, 12/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/12/2005 06:16



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h18 AM
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Decifra-te, poeta!

Decifra-te, poeta!

 

 

 

Contra o corpo, uma forma que deforma

os mais elementares sinais de misericórdia!

As ruas secas, os passos mais amaros,

os pontos em comum que cauterizam - de maneira insólita

- as possíveis e hereditárias maneiras de dizer que amor

- este sentimento vivo - caiu(?).

Os trechos cada vez mais improváveis,

as secretas medidas de culpa, as intrusasforças que castigam o poeta

- na tentativa, crua tentativa, de desenvolver um pequeno paradoxo

(ou simplesmente um sinal de que é preciso permanecer vivo).
Estes insólitos argumentos,
estas firmes maneiras de conter a viva face,

os contusos minutos de febre.

Talvez devesse consumir a hereditária mordaça.

Os passos sem forma definida, as curiosas manchas

que invadem minh'alma, os terríveis segredos

 - sempre mais próximos dos amantes

(eles, afirmo, em eterna combustão!).
Contornos, vínculos expressivos,

caminhadas menos ásperos.

É assim  que devo proceder.

E, este novo sentido para vida, assevero, fez-me melhor

 - ou talvez esperançoso de que algo possa acontecer!
Nossos vínculos que se perderam,
nossas urgentes expectativas,
estes sinais que percorrem um sem par número de estratégias.

 A bem dizer,menino/poeta, as tentativas foram as mais sinceras possíveis.

E insistir, neste exato momento, seria corroborar com o insucesso - predador, eterno predador!
Por isso que decidi cantar a beleza do mundo

 - ou simplesmente acusar as barbáries que insistem em aparecer.

De fato, sinto-me melhor, mais homem.
As estradas simétricas,
as paixões que anunciam um vivo estertor,

As carícias que sempre trocarei - não importa o que aconteça!
As vitrines que barram novos contatos,

As eternas muralhas que consomem os pequenos resíduos...
Dividir e conquistar. Não é este o objetivo dos grandes estrategos?

Então, assim posicionar-me-ei. Sentado, pensativo,

Menino /homem que decifrou

- pela vez primeira –

este vivo e emblemático enigma!

 

© Adriano Guia Ferraro

 

 29, 11/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/11/2005 05:55



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h01 AM
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Visivelmente seguro

 

A impressão que passa sobre as retinas minhas é diferente, intensa, própria

de quem aprendeu a sentir os pálidos e íntimos minutos de angústia.
A viva força, os passos mais firmes, as caminhadas que tocam e dissimulam,

e conquistam um sem par número de expressões.

A bem dizer da verdade, sinuosa fronteira, os vivos sinais, ou as etéreas maneiras

de conter a vil apatia, são tão somente parte,medida incorreta, delírio

de um menino/vate que ousou construir um sonho, uma larga impressão

que tocou - pela vez primeira - os tristes e contínuos minutos de fúria.
A crueza das palavras, as contínuas mordaças, os elos e as fantasias,

e os embustes - estes, confesso, tão primitivos!
Pactos sem identidade,
natureza perversa,
intenso minuto, relato,
frieza sem par.
Fabricar as armadilhas (enquanto os gritos - secos - começam a vacilar),

desenvolver certas fobias

(enquanto as mensagens - rijas - tocam e percorrem os críticos sinais de misericórdia), cauterizar a chaga que tanto incomoda

(para, quem sabe, vulnerar as estradas deste amor - tradutor de um mesmo sinal que somente o poeta pode identificar)...
Amanhã.

Estas são as concretas iniciativas que passo a perceber.

Cada centímetro, vivo em minh'alma, é feito do material mais raro.

Os dias insanos, as muralhas cada vez mais ígneas,

as destrutivas associações - perigosas

e ao mesmo tempo indiferentes ao nefasto resultado.
Permita-me consumir este delicado esboço de fé

para conter os vivos ensaios, as secretas fantasias,

os ambientes que confirmam as preciosas maneiras de amar.
À noite, longe de compreender o motivo dos sonhos sem forma,

ouso produzir um intenso vínculo. Tão forte que material algum será capaz de romper.

À noite, estes demônios parecem querer fabricar um pequeno discurso.

Já os conheço. São feitos do ferro mais puro.

Contudo, oxidam - bem sei!
Estas lembranças, poeta, progressivas!

 

©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 10/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/10/2005 05:25

 

 

 

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 10h31 AM
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Considerações

Considerações

 

 


A vida em contínua mutação!

Os passos sem forma, as cruas notícias que beiram à insanidade,

as curiosas sensações que cativam - de modo impreciso -

as críveis e insones maneiras de conter o que de nobre existe.

Estas mordaças, inda cínicas, costuram o poeta

(quiçá para romper com certos apetites - estes... nem sempre melhores!).
Quisera um dia a mais.

Impossível. Contudo, este sonho próprio

- ou intruso  (basta considerar da melhor forma) - marca o corpo do vate

(ou a simetria que toca e invade os precisos - mas imprudentes - minutos de contato!).
Piedade, menino! Estas certezas, ásperas o suficiente para romper com certos apetites,

condenam-me, revelam - a bem da verdade - um algoz que até então não conhecia.

A viva centelha, os resultados desta parca venda, as trilhas inimagináveis - devoradoras, insisto!
Páginas em branco, condições primárias,

épocas que tocam e verbalizam certos  sinais,

certas conquistas, certos modelos de vida.

De fato, é preciso considerar: melhor, penso, é estar vivo!
Cada dia, único; cada sinal de vulnerabilidade, um aprendizado que livro algum pode superar!


Porto-me assim talvez porque queira estabelecer um elo entre o medo e a cor da nua fúria.

Porto-me assim porque, dotado dos mais belos traços para compor,

resolvi - assim considero - amar e, pela vez primeira, querer ser amado.
Esta é a poesia do tempo.

Estes são os critérios que, finalmente, encontrei.

E a vida, dotada das mais firmes idiossincrasias, perturba o corpo em visível estertor.

Ela, magnífica, diz que é preciso conter este abismo

e preparar-se para algo decididamente melhor.

 
A "despedida" dos amantes, as condições hereditárias,

as vitrines frágeis que tocam e estabelecem um sem par número de certezas.

Causa-me certo medo domar o espírito.

Causa-me certo temor invadir o desconhecido.

Por enquanto, fico com a resposta mais doce: viver (e nada mais!).

©Adriano Guia Ferraro

 

29, 09/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil/ 03/09/2005 12:55)



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 06h01 PM
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Horror em um minuto

Observo um mundo cada vez mais seco.

A lua, inda viva nos corações dos poetas,

murmura - diz que prefere deixar de brilhar.

O vivo e intenso discurso dos homens sem forma,
as possessivas maneiras de exprimir o que se sente,

as ásperas tentativas de caminhar e erigir um pequeno esboço de loucura.
Este império, esta ácida mudança,

estes cenários que reagem ao menor sinal de belicosidade.
Quisera um apoio para encostar o corpo visivelmente cansado.

Quisera, também, a chama dos olhos furiosos

- ou simplesmente algo para conter esta agonia que invade o destrói o peito

(este, em visível derrocada!).
Permaneço em silêncio contínuo - enquanto os "heróis", fáceis de se fabricar,

tentam compreender como é possível deixar os soldados ali, estendidos no solo nu.
Esta é a verdade da guerra. Uns passam, outros verbalizam.

Há, também, aqueles que enumeram um sem par número de teorias

(melhores, afirmam, para conduzir o mundo!).

Contudo, é preciso considerar: todas, em gênero, número e grau, dantescas

(como se fossem, quando do seu nascedouro, encontrar a solução no simples papel).

Ele, sem vida, aceita tudo, encontra tudo. Nós,filhos de um mesmo sentido,

procuramos a guerra. Fazemos dela nossa aliada

- destruindo, inclusive, todas as liberdades, todos os critérios,

todas as belezas que a mão humana - algoz - produziu.
Somos paradoxais. Gritamos e dizemos - com parca serenidade - que o mundo é livre.

No entanto, fazemos dele nosso refém. Mas não há armas. Há palavras, pactos...tratados.

Alguns, teoricamente melhores - fruto de intermináveis horas de reunião.

Para quê? Quiçá para entender que somos impotentes - ou simplesmente fracos

(desde a nossa remota origem!).
O solo que serve de cama, a areia áspera que - assim como o lençol

- cobre nossas vítimas, o ar que respiramos - cada vez mais raro!
Os lábios de uns, o silêncio de outros. Definitivamente não somos melhores.

Definitivamente não nos conhecemos!

 

©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 08/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/08/2005 06:53

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h58 AM
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Inda resisto XI

 

 

 

 


 

Um gesto neste vasto mundo! É pedir muito?!

Os olhares que se perderam, as veracidades que se romperam,

os contornos - maviosos - que caminharam e disseram,

no todo ou em parte, que tocar o corpo, este frio projeto de febre, é preciso.
Quisera um afago nu - sem expressões que não chegam a lugar algum.
Quisera um beijo. Mas ele não veio. Assim como também não veio o poema,

a cólera, o vazio, a angústia, o desejo de caminhar livremente.
Destruído. É assim que me sinto.

O corpo, quando preso aos mais elementares sinais,

desenvolve um frágil projeto de felicidade

(ou talvez tente encontrar - de maneira tímida - a chave para este delírio!).
Calvário intenso,
áspero minuto de febre,
contornos e ruas, e estradas tolas
que tocam e decifram - de modo pouco ortodoxo

- um sem par número de formas (sempre presas, visivelmente presas!).

Devo considerar que este delicado ósculo fora o prelúdio de uma despedida?

Devo considerar que certas fantasias invadiram minh'alma e tornaram-me irracional?
Devo concluir que os olhos meus - míopes - vulneraram certos espasmos,

certos temores, certas páginas?

O corpo vazio, as contusas imagens, a ninfa que passa e não traduz

- a bem da verdade - um diálogo firme (decididamente firme!).

Acordar para a vida. Esta talvez seja a forma que o vate precise aceitar.

Mas recuar, apenas e tão somente para conter as ordens que emanam dos lábios teus

(estes, confesso, visivelmente em desespero!)...

Preciso reagir. Minhas mortalhas convidam-me para um longo passeio.

Talvez não volte. Talvez enxergue novos relatos e novas fantasias

 - essenciais para quem descreve a beleza.
Não. Este não sou eu. Portar-me assim seria impossível (diria pérfido).
Calma. Os traços que se reorganizam, as dores que diminuem o restrito espasmo,

os gritos que emanam dos serenos lábios.

A bem dizer da verdade, ígnea tez, uma incógnita aproxima-se.

Tão minha, tão sua, tão nossa!

 

©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 07/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil/ 03/07/2005 11:51

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 05h54 PM
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Inda resisto X

 

 


Pontos em comum, nuas e estreitos minutos,

pálidos resíduos que caminham sobre os tolos minutos de fúria.

A bem da verdade, sinuosa fronteira, os passos amaros

não são mais do que "simples" tentativas de titânio.

Os risos, os tiros, as paradoxais maneiras de dizer o que pode ser sentido.

Entretanto, viva ninfa, este poeta - resistente - não cai.

Minhas volúveis cadências, minhas febres e meus testemunhos,

minhas expressivas mudanças - sempre à procura de algo melhor.
Encontrei. Descobri o sujeito do amor e passo a caminhar com segurança

- outrora, expresso, tão perdida! Melhor - evidentemente melhor.

Estas concretas possibilidades, estes sinais que caem com delicadeza brutal,

Estes estreitos discursos que hoje, observo, são fortes, decididos,

melhores do que o próprio poeta.
Fugir, em nome deste seguro prelúdio, talvez seja irracional.

A concretude das horas que  não passam, as expectativas mais firmes,

os caminhos delicados que foram erigidos em nome deste amor que passei a sentir.
Como se menino fosse, de castigo estou!

A espera, áspera, contrai o corpo em visível desespero.

Melhores tentativas, assevero, não puderam haver.
A intrusa fantasia, os elos que caminham com docilidade,

os relatos teus que tocam os trechos de um vate cada vez mais firme.
Cá estou. As imperiais fronteiras, construídas com um quê de resistência,

dizem que é preciso estabelecer novos conceitos,

novas empreitadas, novos sinais - em nome, assevero, da crível e intensa paciência!
Observe. Estes trechos de vitória, estas seguras esquinas,

estas pistas que anunciam um sem par número de sugestões.

 Todos, complemento, melhores do que poeta - sempre, insisto, rijo (decididamente inexorável!).
Há um sem par número de sensações que gostaria de exteriorizar.

Contudo, singular menina, os passos teus, mais vivos, moldaram-me para melhor.

A bem dizer, crível esperança, posso - seguramente - expor: resistir, sempre!

©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 06/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/06/2005 09:36

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 03h44 PM
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Inda resisto IX

 

 

 


Intensos diálogos que não fiz, ruas estreitas que jamais toquei,

sinais e certezas, e paradoxos que caem de maneira nada comum.

Os possíveis sinais de cólera, domesticados,
anunciam um sem par número de condições;

as estreitas mudanças, cada vez mais pessoais, anunciam que é preciso dominar o corpo,

flagelar as nuas formas, cauterizar - no todo ou em parte - este vil e insólito argumento.
Cala-te, diz o poeta!

Esta aspereza, de titânio, suficiente não é para domar o amor!
Nossas hipérboles, nossos passos em comum, nossas fantasias - evidentemente tenras!
Quisera, a bem dizer da verdade, sufocar os tolos minutos de febre,

consumir a nobreza dos terríveis pontos, erigir - de modo quase dantesco

- os sinais que pairam sobre o peito parcialmente destruído.
Não posso consumir os pálidos instantes de cólera.

A impressão que fica, ou as sandias imagens que enxergo,

são tão somente visões de um vate cada vez mais amargo.

No entanto, estes gestos tão puros, dotados de inúmeros argumentos,
convencem-me de que esperar - este verbo crítico - é preciso.

E assim ouso, agora, considerar. As peças de titânio que tocam os corpos,

as estradas de ferro que não ousam oxidar, as vivas formas de expressão
que passo a fabricar - sem, no entanto, sofismar!
Minhas peças de aço, meus tormentos impuros,

minha sanidade que paira sobre a rua evidentemente destruída.

Observe. Estes passos não são em vão.

Sinta. Estas concretas maneiras de dizer o que sinto não são feitas do material mais tênue. Perceba. Minhas considerações, agora evidentemente mais rijas,

passam pelos gemidos que a nua ninfa, em contuso desespero, ousou proferir.
Estes são as possíveis notícias que posso contar.

Estas são as sínteses - nuas sínteses - que tocam os imprecisos rompantes.
Nossas hipóteses, nossos segredos, os olhos teus.
A bem da verdade, etérea força, foi preciso amar e resistir para expurgar certos delírios!

©Adriano Guia Ferraro

 

29, 05/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/05/2005 07:00

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 01h06 PM
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Inda resisto VIII

 

 


Transformações, impulsos, limites e segredos,

e condições primárias que invadem os tolos minutos de febre.
O corpo em etéreo minuto de potência,
as seguras formas de amar, os estreitos passos que cauterizam e vulneram,

de maneira tímida, as certezas deste imperial "medo".
Amar. Em segredo? Definitivamente não.

Os olhares que se cruzam, os traços simétricos, as expressivas maneiras de dizer que é preciso conter o vivo minuto de angústia e perturbar - assim quero considerar - a tez, ebúrnea tez.
Produzir um sem par número de sensações,
construir pequenos alicerces e dizer ao pálido mundo que sentir é - sim - reação impensável, cauterizar (no todo ou em parte) os sintomas que exercem influência de maneira negativa.
Ouça. Estes delírios poéticos não são mais do que fundamentos já provados.
Quando da revelação, viva revelação, os olhos meus,

mais firmes, ousaram produzir certos instantes,

certas palavras, certos ensaios que pela vez primeira puderam ser anunciados.

E agora? Que fazer?

Conter o corpo, submeter-me ao inferno e não revelar o que toca e seduz o vate,

escrever - a bem dizer da verdade - em forma de enigmas e oprimir - dentro do peito nu - as certezas que invadem minh'alma?
Preciso de respostas, fundamentais respostas!

A complexa mulher de passos íntimos,

a viva ninfa que toca o ígneo minuto de febre, as expressões - às vezes, penso, desconhecidas

 - os serenos pontos que anunciam (assim preciso considerar) um intenso e nefável desejo.
São inexeqüíveis estes trajetos para o futuro?

São fortes os pactos que fizera?

Deixe-me aqui. Preciso considerar que amar é - sem sombra de dúvida - urgente.
As manhãs, as formações vulneráveis, os paradoxais elos
que tocam e vibram, e caminham com docilidade.
Vínculos, estreitos pontos, únicos esboços, cítricos contornos.
Devo, preliminarmente, resistir?

Com máxima certeza, sublime face, digo: sim!


©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 04/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil)   

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 11h30 AM
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Inda resisto VII

 

 

 

Hipérboles, resumos, encontros,
certezas, concretos passos, estreitos elos, dias e sentenças,

e pequenas mordaças, e intrusas noites nuas, e passionais histórias.

Vou-me embora. A crueza dos gestos, dividida de maneira insana, caminha, destrói e oculta que amar, este verbo quase informe

(vez que não o deciframos), faz-se necessário.
A decadente certeza, os olhares que caem vertiginosamente,

as complexas manhãs que anunciam - de modo tímido –

as novas sensações de cólera.  Definitivamente não sou assim.
Minhas formações, eminentemente sóbrias,

comunicam-se de maneira intensa - ou quiçá, considero, forte

o suficiente para cauterizar a dor que cega.
Pontos em comum, elos e fronteiras vivas, ensaios e joguetes

que pairam sobre o rosto do vate.

Observe-me. Não posso mais caminhar de modo seguro.

Os passos meus, evidentemente independentes, não obedecem a um só comando.
As estreitas muralhas, as vivas contribuições, os contínuos delírios que
caminham e invadem, e contornam os mesmos sinais de misericórdia.

Não posso, bem sei, responder. Caso o faça, tirano serei.

As mudanças sempre promissoras,

as inquietudes nada comuns, os olhos meus que tocam

 - a bem dizer da verdade - as certezas dos passos teus.
A vida, imprecisa vida, necessita de algo mais forte; a vida, ígnea vida, responde aos meus elementares trechos de insanidade(?);

a vida, nua vida, é forma, desejo, relato definitivamente áspero.

Seccioná-la, na esperança de consumir estas doses,

talvez não seja boa idéia. Contudo, ouso continuar.

É preciso, também, exprimir a minha vontade de titânio,

os meus delírios cada vez mais sãos, as nuas fronteiras

- tão próximas, íntimas... tuas!
As estradas do amor,
os caminhos que tocam e verbalizam
outras justificativas,
os amantes - cada vez mais inseguros.
O primeiro passo, os monólogos teus, os minutos de angústia.

Resistir é, sublime ninfa, compreender que algo de bom acontecerá!

©Adriano Guia Ferraro

 

 29, 03/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil03/03/2005 06:41

 



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 12h47 PM
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Inda resisto VI

Veja. Os olhos meus estão mais fortes,
caminham com docilidade, compreendem que é preciso conter certos minutos de angústia.

Mas esperar, este espasmo sem motivo, devora-me, corta-me ao meio.
Preciso resistir.

Estas estradas de aço, estes caminhos que tocam os sandios encontros,

nossas secretas tentativas - beirando à doce insanidade!
Passos estreitos, caminhadas íntimas,
segredos e palavras, e contínuos encontros, e possíveis saídas.

Não observo os olhos teus. Estão, como posso verificar, distantes.

Esta indiferença - potente e ao mesmo tempo frágil - é o resultado de um sem par número de fugas

(talvez porque haja, no todo ou em parte, algo mais forte, mais vivo!).
Observe, sinuosa ninfa! Estes caminhos, devidamente traçados, não podem acabar.

Se o fizer, homem não serei. Tornar-me-ei, sinuosa mulher, pífio

(ou simplesmente alguém que ousou, de maneira perigosa, brincar com algo que jamais sentiu!).
Minhas palavras não são feitas de papel.

Projetam-se no tempo e no espaço,

ganham contornos críveis, apoiam-se - a bem da verdade - nos gestos que você, intensa menina, professa.
Desejos expressivos,
caminhos mais concretos,
paredes e janelas, e sentenças que tocam as intensas e necessárias forças.
Devo recuar e dizer que acabou?

Se o fizer, homem não serei.
Estes pactos inconstantes, estas paredes nada ortodoxas,

as necessárias provações que devo - pacientemente - sentir.
Ouça. Minhas sustentações não são frívolas. Observe.

Meus passos não são mais inseguros. Sinta.

Estas constantes febres, divididas de maneira ígnea,
consomem o vate, traduzem - de modo específico - que algo resiste bravamente.
Não enxergo nada além de uma resposta - seja qual for!

Não enxergo os gestos, as tímidas mudanças, os caminhos que tocam e passam, e decifram, e monologam.

E agora? Aonde ir?

Não sei.

E agora, vate?

Resistir. Esta é a resposta!

Estes são os minutos que ousei, timidamente, erigir!


 

©Adriano Guia Ferraro

 29, 02/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/02/2005 11:47



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 05h54 PM
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Inda resisto V

 

 

 

 

Estes alicerces íntimos, estas conquistas de titânio,

estes horizontes que pairam sobre o peito do vate.

De fato, nua ninfa, os passos teus são melhores - dotados, a bem da verdade, de um sem par número de sensações que eu - menino nu - inda não consegui vislumbrar.
Estas certezas nada comuns, estes pontos ígneos, os pequenos horizontes que traduzem

 - de maneira íntima - os possíveis e realizáveis segredos.
Compreenda. Estas "armadilhas", em forma de letras, são risos,

alimento para este poeta que enxerga - de um modo mais sensível

(pelo menos assim considero) - os trechos e as notícias que invadem o corpo e a alma.
Dialogar de maneira intrusa, contornar certos delírios,

resumir - a bem dizer da verdade - os críveis sinais de fúria.
Não seja assim. Não faz bem. Vê-la, projeto para o presente;

amar o sujeito do amor, projeto, sensação que toca o peito e desenvolve um rijo projeto de felicidade!
Ouvir os passos teus, consumir as estreitas mudanças, anunciar de modo íntimo quais são os mais precisos contornos.
Permanecerei aqui. Abrir mão de um centímetro... improvável!
Minhas canhestras ações,
minhas complexas ilusões,
meus pesadelos que glorificam definitivamente a contusa forma.

Ouso, no todo ou em parte, reagir.

Abraçar este suspiro e consumir os pequenos minutos de intimidade,

talvez sejam os únicos momentos de que disponha.

Por isso resisto. Ou em palavras outras: por isso construo minhas vivas e intensas mordaças. Elas, assevero, são inofensivas.

Não vulneram, assim observo, as passagens deste amor inabalável.
Ouça-me. Tornei-me, de fato, melhor. O que antes podia ser denominado misantropia

pode - agora - ganhar ares de liberdade (tão profunda, viva, intensa!).
Os olhos teus,
a simetria íntima,
a poderosa fronteira entre a invasão e o recuo.

Deixe-me erigir o belo - ou as transformações que dele emanam.

Deixe-me, por fim, reagir. Por isso, nua mulher, resisto!

© Adriano Guia Ferraro

 

 29, 01º/3/2005, Santos / São Paulo / Brasil) 03/01/2005 12:36



Escrito por Adriano Guia Ferraro às 06h43 PM
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