Infelizmente os nossos projetos não foram eternos
Apenas as certezas que tocam as mais rijas estruturas podem ser capazes de produzir dúvidas saudáveis. Apenas quem
amou pode, dentro das possibilidades mais vivas, sentir o corpo desenvolver um sem par número de expressões – mesmo as que, de tão amargas, ousaram perturbar a viva fronte!
São estes os soltos sons. São estas as palavras de arrependimento. São estes
os contornos críveis que estabelecem as mais profundas e pequenas manifestações
de
amor. Amor seco, amor fugaz, amor que ousou romper as barreiras da distância – porquanto sentira a necessidade, premente, de conduzir o riso frouxo aos mais edificantes projetos que, em vida, pensara que fossem ser eternos. Caíram as
colunas. Caíram as mudanças que inda exercem profunda influência sobre este corpo tolo, delicado, por vezes insuficiente.
Faltou-me coragem, confesso. Faltou-me, também, a prudência para dizer
aos outros que se afastassem. Um casal. Duas pessoas. Apenas e tão-somente entre elas é que se pode demonstrar, com serenidade, o riso vivo – ou, nos acontecimentos mais fortes, faces outras que demonstramos apenas nos momentos mais sérios que a vida impõem.
Ariscar faz parte, também, dos amantes. Arriscar é cumprir à risca os detalhes que insistem em aparecer. Arriscar é, simplesmente, domar o medo e seguir em frente – mesmo quando a adversidade, inerente ao risco, impõem determinações nada comuns.
Os amantes sofreram. Sentiram pesar sobre os ombros as mais inferiores e particulares considerações. Os amantes são imprevisíveis. Dos beijos aos mais ásperos comentários que a reta razão humana, por prudência, oculta – quiçá para não ofender!
Mas é preciso dizer tudo – mesmo que ofenda. Senão, os relacionamentos seriam, no todo ou em parte, híbridos, comuns... sem expressão.
Este é o detalhe que escapa aos olhos daqueles que se dizem mais preparados. Ter experiência de vida, observo, não é sinal de sabedoria. Afinal, uma criança de cinco anos, por vezes, é mais madura do que aquele que possui cinqüenta.
Até mesmo os mais centrados sofrem as agruras que o amor estabelece. Até mesmo os mais sensatos constroem – com graves erros de cálculo – os alicerces do que, para eles, representa a perfeição. Perfeição que atende pelo nome de relacionamento.
Eu não sei quanto a vocês, de verdade: apenas entendo que
amar é, simplesmente, divino. Contudo, saber administrar o amor é tarefa para
raríssimas pessoas. E elas, mesmo assim, têm medo – porquanto não sabem se estão a trilhar o mais correto dos caminhos. A mansidão toma conta do meu corpo, agora. A mansidão chega com o sono. Os olhos meus já manifestam, sem sombra de dúvida, o habitual cansaço. E a poesia, naturalmente prisioneira, está aqui – sem saber o que dizer àquele que, mesmo fatigado, insiste em escrever!
Dormir, neste momento, não é sinal de sabedoria. Dormir representaria adiar, por um certo período, o confronto – benéfico – inevitável. Dormir é
a expressão que provisoriamente acalma os ânimos. Eu, aqui; ela, na sua respectiva cidade.
Se o aprendizado restou, ouso afirmar que sou, então, um homem melhor. Se o aprendizado nos faz amadurecer, mesmo quando percorremos os mais áridos caminhos, é sinal de que estou – em tese – no caminho certo. Mas uma coisa é precisa neste caso: dói aprender desta maneira! (Adriano Guia Ferraro, 31, 22/12/2006, SANTOS / SP / Brasil)
Escrito por Adriano Guia Ferraro às 01h05 PM
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